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| Foto do parque com a torre Euromast ao fundo, um dos símbolos de Roterdã. |
Senti a necessidade de escrever a postagem "A Holanda é linda, mas infelizmente não é o meu número" quando comecei a pesquisar sobre a cidade que será o nosso próximo destino. Durante a pesquisa, observei que a grande maioria dos depoimentos publicados são de pessoas que estão felizes da vida com o local onde vivem, quase todos os blogues têm aquela mensagem subliminar "eu moro onde você passa férias e essas são as minhas dicas de ouro".
Pensei cá com os meus botões: E por que não escrever um texto sobre a nossa difícil e frustrante tentativa de se enquadrar na Holanda? Pelas conversas que temos com os nossos amigos também imigrantes por aqui, todos se sentem mais ou menos como nós e quase todos os que não têm vínculo conjugal com alguém de nacionalidade holandesa têm planos de partir em breve ou assim que possível. E foi assim que resolvi escrever aquele texto, pois acredito que o outro lado da moeda migratória precisa sair das rodinhas de bate-papo entre imigrantes e ser visto por quem está considerando imigrar.
Enquanto escrevia, eu sentia o meu coração acelerado. Estava triste e ansiosa ao mesmo tempo. Triste pelo contexto da situação e ansiosa para ver a reação dos leitores. Quando cliquei em "Publicar" e compartilhei o texto no Facebook, comecei a me preparar para receber críticas e opiniões que discordariam da minha, e pode ser que ainda venha a recebê-las, mas o fato é que até agora, todas as pessoas que se manifestaram, de alguma forma se identificaram com o texto ou apreciaram-no. Se você ainda não leu a postagem da qual estou falando, clique aqui.
Eu não esperava que tantas pessoas imigradas em países tão diferentes se revissem na nossa história, mas pensando bem, isso comprova que o problema não está na Holanda, muito menos no povo holandês, mas sim nas dificuldades implícitas à imigração em países com cultura e funcionamento tão diferentes dos nossos. Recebemos mensagens de amigos que vêm pensando em imigrar e que se sentiram divididos após ler aquela postagem. Apesar de o meu objetivo ser alertar as pessoas para esse outro lado da moeda, como eu disse acima, não quero que concluam que imigrar não vale a pena, vale e muito! Mas tudo depende dos seus objetivos na imigração e das suas prioridades na vida.
Quando nós constatamos que não estávamos felizes aqui na Holanda, imediatamente o Filipe começou a procurar emprego em Portugal e no Brasil porque tudo o que queríamos era voltar para casa (eu sou tradutora freelancer, posso trabalhar em qualquer lugar), mas como atualmente está quase impossível conseguir emprego na área dele nesses países, resolvemos incluir a França nessa busca também, já que ele fala francês. Resumo da ópera: vamos mudar para Montpellier, no Sul da França!
Mais uma vez, vamos nos lançar numa cidade onde nunca estivemos, onde não conhecemos uma alma viva e euzinha aqui vou ter que aprender mais um idioma. Confesso que me dá uma certa preguiça começar tudo de novo, mas por outro lado, estamos muito empolgados com a mudança e estamos apostando todas as nossas cartas para vivermos lá mais felizes e integrados do que estamos vivendo aqui. Fatores favoráveis não faltam: eu sempre quis aprender francês (acho chiquérrimo), a região é super ensolarada, tem praia a poucos minutos da cidade, estação de esqui nos Pirineus a 1h30min de carro, produz vinhos maravilhosos e (eu já disse praia?), estaremos no país onde gastronomia é assunto seríssimo e tenho certeza que vamos tirar bastante proveito disso.
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| Vou sentir muita falta da minha grande companheira e de ir com ela para todo lado. |
Como veem, ainda tem muita água pra passar debaixo dessa ponte até a gente conseguir voltar pra casa, e eu vou continuar relatando nossas experiências aqui no blogue. Neste momento, estamos em fase de despedida da Holanda e dos amigos queridos que fizemos aqui. Faltam poucas semanas para partirmos e estes dias têm sido agridoces. Não é fácil nos desfazermos das nossas pequenas conquistas, dizer adeus a pessoas incríveis que fizeram parte da nossa vida nos três últimos anos e, ao mesmo tempo, lidar com o frio na barriga de quem vai mergulhar num mar desconhecido mais uma vez. O jeito é tampar o nariz e se atirar!
Aguardem as cenas dos próximos capítulos... ;-)
PS: Ilustrei essa postagem com fotos do outono holandês porque acho o Outono super nostálgico, e nostalgia é o que não falta por aqui ultimamente.



